A Renault apresentou, durante o evento corporativo futuREady, na França, um novo carro-conceito e estudo de design que mostra como a marca imagina a experiência dentro dos automóveis nos próximos anos.
A montadora informa que o projeto, batizado de R-Space Lab, não foi criado para antecipar diretamente um modelo específico da linha, mesmo que o visual possa lembrar uma possível evolução do Renault Mégane.
Com transmissão online global, a apresentação faz parte da estratégia da empresa de mostrar como pretende evoluir seus produtos e serviços ligados à mobilidade. Na prática, o objetivo do conceito é servir como um laboratório sobre rodas. A proposta é experimentar novas soluções de design interno, tecnologia e interação entre motorista, passageiros e o veículo.
Ideias que nascem fora das regras da produção
O R-Space Lab surgiu dentro do Garage Futurama, um núcleo de inovação da Renault onde profissionais de várias áreas trabalham juntos para imaginar soluções futuras. Designers, engenheiros, especialistas em software e estrategistas participam do processo criativo.
Nesse ambiente, os projetos não precisam seguir as mesmas limitações de custo ou produção de um carro comum. A intenção é justamente explorar ideias que podem influenciar veículos da marca no médio ou longo prazo.
Segundo a Renault, o conceito segue a lógica da filosofia “Voitures à vivre”, expressão usada pela empresa para descrever carros pensados como ambientes de convivência: confortáveis, versáteis e conectados às necessidades do dia a dia.
Formato compacto, mas com foco no espaço interno
O conceito adota uma carroceria de estilo monovolume, com cerca de 4,5 metros de comprimento e 1,5 metro de altura, menor que a de mutios SUVs atuais.
Mesmo assim, a marca informa que arquitetura foi planejada para privilegiar o espaço interno e permitir diferentes formas de usar a cabine.

Painel dominado por tela digital
Logo ao entrar no carro, o que mais chama atenção é o painel praticamente inteiro digital. Uma tela curva panorâmica atravessa toda a largura do interior e concentra praticamente todas as informações do veículo.
Nela aparecem dados de condução, navegação, entretenimento e avisos dos sistemas de assistência ao motorista. A maior parte dos comandos é feita por toque, em um sistema que evolui a plataforma já vista no Renault Mégane E-Tech Electric.

Controle de direção diferente do tradicional
Outro detalhe curioso é o formato do comando de direção. Em vez do volante circular tradicional, o conceito utiliza um controle compacto que lembra equipamentos usados em carros de competição ou aeronaves.
Esse layout é possível porque o carro utiliza direção eletrônica sem ligação mecânica direta, conhecida como steer-by-wire. Nesse tipo de sistema, os movimentos do motorista são transmitidos por sinais eletrônicos, e não por uma coluna de direção convencional.
Além de permitir ajustes automáticos na sensibilidade da direção, essa solução também ajuda a liberar espaço na parte inferior do painel.

Sistema capaz de detectar álcool sem bafômetro
Entre as tecnologias experimentais do projeto está um sistema que pode identificar a presença de álcool no organismo do motorista sem precisar soprar em um aparelho.
Sensores instalados em superfícies que o condutor toca, como o volante ou o botão de partida, analisam sinais corporais pela pele. A ideia é que a medição aconteça de forma automática e quase instantânea.
Caso o sistema identifique níveis de álcool, o carro pode emitir alertas ou sugerir ao motorista que não dirija. Dependendo da situação, também pode limitar algumas funções de condução para segurança.
Mudança no airbag abre espaço no painel
Uma solução interessante do conceito envolve o airbag do passageiro dianteiro. Em vez de ficar no painel, ele foi integrado à estrutura do banco.
Essa mudança libera bastante espaço no painel e permite a criação de um porta-luvas muito maior e multifuncional. O compartimento pode funcionar tanto como área de armazenamento quanto como apoio para objetos, como um notebook.
Com o banco do passageiro podendo deslizar mais para trás, parte do painel também serve como apoio para as pernas, criando uma posição mais relaxada em viagens longas.

Compartimento inteligente
O porta-luvas ainda conta com sensores capazes de reconhecer o que está armazenado ali dentro. Dependendo do conteúdo, o carro pode ajustar automaticamente a temperatura do espaço para preservar alimentos ou proteger eletrônicos.
O interior também traz várias áreas de carregamento sem fio, permitindo recarregar dispositivos eletrônicos sem depender de cabos.

Três bancos traseiros iguais
Na parte de trás, a Renault optou por uma solução diferente da maioria dos SUVs atuais. Em vez de um banco dividido em duas partes, o R-Space Lab traz três assentos individuais do mesmo tamanho.
Cada um deles pode deslizar independentemente sobre trilhos e oferece até função de massagem. Os encostos podem ser rebatidos e os assentos levantados, criando diferentes configurações de espaço para bagagens ou objetos maiores.

Interior flexível e sensação de cabine ampla
O piso totalmente plano ajuda a ampliar as possibilidades de uso do espaço. Dependendo da configuração, o porta-malas pode crescer bastante ou liberar espaço adicional para transportar itens volumosos.
As portas traseiras também foram pensadas para facilitar o acesso, abrindo em ângulo amplo.
Para reforçar a sensação de amplitude, a Renault apresenta grandes superfícies de vidro, colunas mais finas e portas sem moldura. O resultado é um interior mais iluminado e visualmente espaçoso.





