O preço médio pago por um carro novo nos Estados Unidos segue em patamar elevado e não dá sinais claros de recuo. Dados mais recentes do Kelley Blue Book (KBB) mostram que, em novembro, o valor médio de transação atingiu US$ 49.814, praticamente estável em relação a outubro e 1,3% acima do registrado no mesmo mês do ano passado.
Segundo a Cox Automotive, empresa responsável pelo levantamento, o mercado parece ter se ajustado a um novo patamar de preços, próximo de US$ 50 mil. Historicamente, dezembro costuma concentrar os valores mais altos do ano, o que indica que o período de fim de ano pode pressionar ainda mais a média, impulsionado pela preferência dos consumidores por SUVs e picapes de maior valor.
Os incentivos oferecidos pelas montadoras continuam presentes, mas em nível menor do que no passado. Em novembro, eles representaram, em média, 6,7% do preço de transação, abaixo dos quase 8% observados um ano antes. O dado sugere que os fabricantes têm menos necessidade de descontos agressivos, já que muitos compradores seguem optando por versões mais caras e bem equipadas.
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Os números também indicam uma redução significativa da participação de modelos mais acessíveis nas vendas. Veículos com preço sugerido abaixo de US$ 30 mil responderam por apenas 7,5% das vendas em novembro, ante 10,3% no mesmo período do ano passado. Modelos como Toyota Corolla, Chevrolet Trax e Hyundai Elantra seguem entre os poucos representantes desse grupo, que encolhe de forma gradual.
Em sentido oposto, veículos com preços acima de US$ 75 mil ganharam espaço. Mais de 10% dos carros vendidos em novembro estavam nessa faixa de valor. As picapes de grande porte têm papel relevante nesse movimento: pelo terceiro mês consecutivo, o preço médio de transação desses modelos superou US$ 70 mil. Elas representaram mais de 14% das vendas no mês, com cerca de 183 mil unidades comercializadas.
Embora o preço médio de transação tenha se mantido relativamente estável, o preço sugerido médio (MSRP) continuou subindo. Em novembro, o valor chegou a US$ 51.986, alta de 1,7% em relação ao ano anterior, indicando que os lançamentos e versões ofertadas seguem posicionados em faixas mais altas.
No segmento de veículos elétricos, os preços apresentaram leve recuo na comparação mensal, com média de US$ 58.638 em novembro. Ainda assim, o valor é 3,7% superior ao de um ano atrás. Os incentivos para elétricos cresceram e já superam 13% do preço médio, em um contexto de queda nas vendas, que recuaram mais de 40% na comparação anual.
A Tesla segue como um dos principais exemplos desse cenário. O preço médio de transação da marca subiu para US$ 54.310 em novembro, mesmo com queda de 22,7% nas vendas em relação ao ano anterior, influenciada principalmente pelo menor desempenho do Model 3. O Model Y teve aumento leve de preço, enquanto a Cybertruck registrou seu menor volume mensal em 2025, com 1.194 unidades, apesar de preço médio próximo de US$ 94 mil.
Para a analista executiva da Cox Automotive, Erin Keating, os preços elevados refletem mais o comportamento do consumidor do que fatores pontuais de inflação ou restrições de oferta. Segundo ela, o indicador do KBB mostra o que os compradores efetivamente escolhem adquirir, e não apenas o que está disponível nas concessionárias.
De acordo com Keating, muitos consumidores de carros novos estão em fase de maior renda e demonstram menor sensibilidade a preço, priorizando veículos de categorias superiores e com mais recursos. Em novembro, as vendas de modelos acima de US$ 75 mil superaram as de veículos abaixo de US$ 30 mil, reforçando essa tendência.
O cenário indica que, enquanto a preferência do consumidor permanecer concentrada em SUVs e picapes mais caros, o preço médio dos veículos novos nos Estados Unidos deve continuar elevado. Ao mesmo tempo, o espaço para modelos mais acessíveis segue reduzido, o que pode influenciar as estratégias futuras das montadoras.




